*Esta matéria é de autoria do Valor Econômico.
Por Mariana Ribeiro — De São Paulo
06/02/2024 05h02 · Atualizado
SPC Grafeno entra em registro de dupllicatas
Objetivo é ir além das obrigações regulatórias e fortalecer a oferta de serviços de valor agregado para os clientes.
A SPC Grafeno, uma joint venture entre o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)
e a Grafeno, oficializou sua entrada no mercado de registros de duplicatas neste mês
e anunciou novas parcerias com empresas como Semantix e Nexxera. O objetivo é ir
além das obrigações regulatórias e fortalecer a oferta de serviços de valor agregado
para os clientes, diz Magno Lima, CEO da companhia.
“Estamos nos posicionando como uma infraestrutura de inteligência de dados.
Queremos ser muito mais do que uma entidade registradora e usar a regulação
como insumo para proposta de valor.”
A empresa recebeu em novembro a autorização do Banco Central (BC) para operar
como registradora de duplicatas e cédulas de crédito bancário. Em janeiro, fez a
primeira operação de registro de duplicatas, em parceria com a AmFi, que atua com
“tokenização”.
Tokenização em duplicata
“A AmFi tokenizou e registrou a duplicata na cessão que fizeram para o mercado
financeiro. Foi o primeiro registro no mercado de um ativo tokenizado”, disse Lima,
acrescentando que quando o Drex (real digital) de fato estiver em funcionamento
esse tipo de transação será comum no mercado financeiro. “Acredito que a
tokenização de ativos é o futuro para um ambiente de crédito mais justo.” Para ele, a
tokenização e os sistemas de registro serão complementares – e não concorrentes.
Inteligência artificial
A SPC Grafeno anunciou parceria com a plataforma de dados Semantix, que,
segundo o CEO, ajudará a companhia a acelerar a construção de produtos de
inteligência artificial. A registradora já atua com processamento em nuvem, a partir
da AWS, e destaca esse fato como um diferencial.
Já na área de negócios, foi fechada parceria com a Nexxera, ecossistema de
transações financeiras e mercantis que conecta empresas, bancos e adquirentes. A
ideia, explica Lima, é acompanhar o ativo de ponta a ponta, da originação do direito
creditório até a negociação e posterior registro. A ideia é oferecer um conjunto de
produtos que viabilize não só o cumprimento da exigência regulatória, mas também
outras possibilidades, como conciliação e criação de um sistema de nota para os
ativos.
Regulação
A SPC Grafeno vê como oportunidades as novas regras da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), que estabeleceram que fundos de investimento em direitos
creditórios (FIDCs) deverão registrar os seus recebíveis. Em setembro, a norma
passou a valer para novos fundos e, em abril deste ano, entrará em vigor para todos.
Outro processo visto como favorável para o mercado é a implementação das
duplicatas escriturais pelo BC, que está em andamento. No final de 2023, as
registradoras que participam do processo de discussão enviaram ao regulador uma
versão da convenção construída pelas participantes, uma das etapas necessárias
para o avanço do projeto. Agora, aguardam um retorno do BC sobre o documento.



