Tesouro Selic ou IPCA: o que é melhor para empresas?

No ambiente corporativo, escolher onde aplicar os recursos excedentes é uma decisão que vai muito além da simples busca por rendimento. Para empresas que prezam por segurança, liquidez e planejamento financeiro, os títulos do Tesouro Direto têm se mostrado alternativas interessantes.

Entre as opções mais procuradas estão o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+, que oferecem mecanismos de remuneração distintos e adequados a diferentes perfis e objetivos empresariais. No entanto, a dúvida sobre qual deles é o mais vantajoso para o caixa empresarial exige uma análise aprofundada.

Com base em relatórios do Tesouro Nacional e estudos como os da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), é possível compreender como esses papéis funcionam, quais são os riscos embutidos e, principalmente, como eles se encaixam em estratégias de gestão financeira empresarial eficiente.

A decisão entre Tesouro Selic e IPCA+ depende de fatores como horizonte de investimento, tolerância ao risco, necessidade de liquidez e até mesmo o setor em que a empresa atua.

O que é o Tesouro Selic?

O Tesouro Selic é um título público atrelado à taxa básica de juros da economia, a Selic. Sua principal característica é a alta liquidez e baixa volatilidade, tornando-se o papel mais indicado para empresas que precisam de acesso rápido aos recursos e que não podem se expor a oscilações significativas de mercado. Segundo dados do próprio Tesouro Nacional, mais de 70% dos investidores que entram no Tesouro Direto optam inicialmente pelo Tesouro Selic, exatamente por sua característica de previsibilidade.

Para as empresas, isso é ainda mais relevante, já que o dinheiro pode ser resgatado com facilidade e sem o risco de perdas relevantes se o resgate for feito antes do vencimento.

O Tesouro Selic costuma acompanhar de forma bastante direta o movimento da política monetária, sendo impactado pelas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Quando a Selic está em alta, como ocorreu entre 2022 e 2023, com a taxa chegando a 13,75%, o rendimento do Tesouro Selic se torna extremamente atrativo. Isso atrai empresas com foco em preservação de capital e rendimento compatível com o CDI, especialmente aquelas com gestão conservadora.

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O que é o Tesouro IPCA+?

O Tesouro IPCA+ é um título público que oferece uma rentabilidade composta por uma taxa de juros fixa acrescida da variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o principal índice de inflação do Brasil. Ou seja, ele garante rendimento real, pois protege o poder de compra do dinheiro contra os efeitos da inflação.

Esse tipo de título é bastante utilizado por investidores que têm um horizonte de médio e longo prazo e desejam garantir a manutenção do valor dos seus ativos. Para empresas, o Tesouro IPCA+ pode ser uma ferramenta estratégica em planejamentos que envolvam projetos futuros, expansão ou reservas de longo prazo, principalmente em contextos de incertezas inflacionárias.

Segundo levantamento da FGV IBRE de 2024, a volatilidade do IPCA tem se mantido em patamares elevados nos últimos anos, o que eleva a atratividade dos papéis atrelados à inflação. No entanto, diferentemente do Tesouro Selic, o IPCA+ apresenta maior risco de marcação a mercado, ou seja, o valor do título pode oscilar bastante se for resgatado antes
do vencimento.

Tomada de decisão baseada em dados

Para entender o que é melhor para uma empresa, o Tesouro Selic ou o IPCA+, é essencial que os gestores financeiros olhem para os indicadores macroeconômicos, o perfil de caixa da organização e seus objetivos estratégicos.

Se a empresa busca liquidez imediata, tem pouca tolerância ao risco e utiliza investimentos como extensão da sua reserva de emergência, o Tesouro Selic tende a ser mais adequado. Ele garante rendimentos próximos ao CDI e permite saques a qualquer momento, sem perdas substanciais. Além disso, não sofre com a volatilidade dos preços no curto prazo, o que é crucial para empresas que operam com margens apertadas.

Empresas que têm projetos futuros com data definida, como aquisição de novos equipamentos, expansão de unidades ou abertura de novas filiais, podem considerar o Tesouro IPCA+ como uma ferramenta de proteção contra a inflação.

Desde que o resgate seja feito no vencimento, o título garante rentabilidade real, o que pode preservar e até ampliar o poder de compra da empresa.

Liquidez versus rentabilidade: qual pesa mais?

Esse dilema é comum em qualquer análise de investimento: abrir mão de liquidez para obter maior rentabilidade ou garantir acesso rápido ao capital, mesmo com retorno ligeiramente inferior? Para empresas, essa resposta está diretamente relacionada ao fluxo de caixa e previsibilidade das receitas e despesas.

Empresas que operam com alta sazonalidade, como comércio e serviços, muitas vezes precisam de liquidez para aproveitar oportunidades pontuais ou se resguardar de imprevistos. Já organizações com fluxo de caixa mais previsível, como indústrias consolidadas, podem planejar investimentos de longo prazo e se beneficiar de rendimentos superiores no Tesouro IPCA+.

Estudo da PwC Brasil divulgado em 2023 indicou que 62% das pequenas e médias empresas brasileiras não contam com uma gestão de caixa estruturada. Nesse cenário, o Tesouro Selic surge como uma alternativa mais segura. No entanto, à medida que a empresa profissionaliza seu setor financeiro, os papéis de longo prazo passam a ter mais espaço na estratégia, inclusive como instrumentos de diversificação patrimonial.

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Riscos e volatilidade: o impacto para empresas

O principal risco para empresas que investem em títulos públicos está ligado à marcação a mercado, especialmente no caso do Tesouro IPCA+. Se houver necessidade de resgatar os recursos antes do vencimento, o valor de venda pode ser inferior ao investido inicialmente, principalmente em cenários de alta da taxa de juros.

Já o Tesouro Selic, por acompanhar diretamente a taxa básica da economia, sofre pouco com esse tipo de oscilação. Isso faz dele uma opção quase livre de risco de mercado para o curto prazo, sendo ideal para empresas que não podem comprometer sua liquidez.

Outro ponto a ser considerado é o cenário fiscal e político do país. Incertezas podem impactar a percepção de risco dos investidores em relação aos títulos públicos, influenciando seus preços. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado em abril de 2025, a expectativa de inflação acumulada para o ano está em 3,91%, com a Selic projetada em 9,75% até o fim do período. Esses dados ajudam as empresas a traçarem simulações de rentabilidade para diferentes títulos e cenários.

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