O crédito corporativo é uma engrenagem essencial para o funcionamento de empresas de todos os portes. Seja para financiar a expansão, adquirir novos equipamentos, manter o fluxo de caixa ou investir em inovação, o acesso a crédito permite que as organizações operem com mais flexibilidade e potencializem seu crescimento.
Contudo, a forma como esse crédito é utilizado — especialmente no que diz respeito aos pagamentos — influencia diretamente a segurança financeira e a sustentabilidade do negócio.
A escolha das formas de pagamento adequadas no crédito corporativo vai além da conveniência. Trata-se de uma decisão estratégica que envolve riscos, garantias, custos, prazos e, principalmente, segurança. Num contexto onde o cibercrime corporativo e as fraudes financeiras cresceram mais de 30% nos últimos cinco anos, segundo dados da PwC Global Economic Crime Survey (2022), optar por métodos de pagamento seguros é um diferencial competitivo.
Tomada de decisão baseada em dados
Decidir quais formas de pagamento são mais seguras para o crédito corporativo exige análise criteriosa. A segurança envolve tanto aspectos tecnológicos quanto jurídicos, e deve considerar fatores como rastreabilidade, autenticidade da transação, proteção contra fraudes e mecanismos de reversão de cobrança.
Um levantamento da Juniper Research (2023) aponta que as perdas globais por fraudes em
pagamentos digitais corporativos devem ultrapassar US$ 343 bilhões até 2027. No Brasil, o
número de golpes digitais cresceu em média 15% ao ano desde 2020, segundo a Serasa Experian. Esses dados reforçam a necessidade de escolher meios de pagamento que contem com validação em duas etapas, protocolos de criptografia avançados, sistemas antifraude integrados e histórico de confiabilidade.
É essencial que os sistemas utilizados para pagamentos estejam em conformidade com normas como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e PCI DSS (Payment Card Industry Data Security Standard), especialmente quando envolvem dados sensíveis de empresas e parceiros comerciais.
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Transferência bancária eletrônica (TED e DOC): segurança com limitações
As transferências bancárias tradicionais, como TED e DOC, continuam sendo amplamente utilizadas em operações corporativas no Brasil. Esses métodos são relativamente seguros quando realizados dentro do ambiente dos grandes bancos e com autenticação multifator.
Eles oferecem rastreabilidade total, algo vital em auditorias e reconciliações financeiras. Contudo, com o avanço da tecnologia e a crescente sofisticação de fraudes eletrônicas, esse tipo de transferência vem perdendo espaço para métodos mais modernos, como o Pix e plataformas de pagamento digital com autenticação biométrica. Um estudo conduzido pela Febraban (2023) revelou que, embora as transferências via TED ainda representem parte relevante das movimentações entre empresas, houve uma queda de 28% no volume transacional em comparação com 2020.
A principal limitação da TED e do DOC está na dificuldade de reversão em caso de erro ou
fraude, o que acarreta riscos maiores em pagamentos de alto valor ou com parceiros pouco
conhecidos.
Pix como alternativa emergente no crédito corporativo
O Pix, sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, vem transformando a maneira como as empresas realizam transações financeiras. Desde seu lançamento em 2020, o Pix se consolidou como um dos métodos mais usados em pagamentos corporativos, com um crescimento de 74% em uso entre empresas em 2023, conforme apontado em relatório do BCB (Banco Central do Brasil).
Sua principal vantagem é a combinação entre velocidade e segurança. O Pix é processado em tempo real, funciona 24/7 e conta com mecanismos de autenticação robustos. Além disso, a adoção crescente de camadas extras de segurança, como biometria facial e tokens dinâmicos, aumenta a confiabilidade da operação.
Limites de transações e uso controlado
Uma medida de segurança adicional oferecida pelo Pix é a possibilidade de configurar limites personalizados para cada tipo de transação e para diferentes horários do dia. Essa função tem sido amplamente utilizada por empresas para evitar fraudes noturnas, que são mais frequentes.
Apesar da praticidade e agilidade, o Pix ainda demanda cautela na etapa de cadastro de chaves e verificação dos destinatários, pois há registros de golpes com QR Codes falsificados e fraudes por engenharia social.
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Cartões corporativos com tecnologia EMV e tokenização
Outra forma de pagamento comum no universo do crédito corporativo são os cartões
empresariais, que hoje estão muito mais seguros do que há uma década. A tecnologia EMV
(Europay, MasterCard e Visa), padrão global de chips inteligentes, tornou as fraudes por
clonagem muito mais difíceis.
Os sistemas mais modernos utilizam tokenização de dados — ou seja, os números reais do
cartão são substituídos por tokens únicos, que não podem ser reutilizados. Isso é especialmente importante em pagamentos recorrentes ou em plataformas online.
Segundo a Visa Security Research (2022), a adoção da tokenização reduz em até 89% o risco de fraude em transações digitais. As empresas que utilizam cartões corporativos com sistemas de gestão integrados também se beneficiam de maior controle sobre limites, categorias de gasto e políticas de aprovação, o que reduz drasticamente o risco de uso indevido.
Plataformas de gestão de pagamento e conciliação automatizada
Um movimento crescente no ecossistema de crédito corporativo é a adoção de plataformas de gestão financeira que integram pagamentos com controle orçamentário e conciliação automatizada. Essas soluções, oferecidas por fintechs e empresas de ERP, permitem que pagamentos sejam realizados com camadas extras de segurança, como assinaturas digitais, validação em múltiplos níveis e rastreamento completo.
Essas plataformas também facilitam o compliance com políticas internas e regulatórias, além de reduzir erros humanos.
Inteligência artificial na detecção de fraudes
A presença de inteligência artificial nas plataformas de pagamento corporativo permite que transações fora do padrão sejam identificadas em tempo real. Com base em aprendizado de máquina e análise comportamental, o sistema é capaz de bloquear automaticamente pagamentos suspeitos, alertar os gestores e evitar prejuízos significativos.
Não existe uma única forma de pagamento que seja perfeita para todos os casos. A escolha ideal depende da estrutura do negócio, dos valores envolvidos, da frequência das operações e do nível de risco aceito pela empresa. O mais importante é que a decisão seja sempre embasada por dados, análises de risco, auditorias internas e uso estratégico da tecnologia.
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