O que é IGP e como ele afeta o mercado de crédito

O Índice Geral de Preços (IGP) é um indicador econômico criado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com o objetivo de medir a variação média de preços na economia brasileira. Ele é um dos principais termômetros da inflação e é utilizado amplamente em contratos financeiros, reajustes tarifários, investimentos e, sobretudo, na formação das expectativas econômicas. O IGP é composto por três subíndices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do total; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com os 10% restantes.

A composição diversificada do IGP permite que ele reflita não apenas os preços ao consumidor final, como acontece com o IPCA (índice oficial do governo), mas também os preços no atacado e os custos da construção civil. Isso o torna um indicador abrangente e relevante para diferentes setores da economia, o que explica por que ele é tão utilizado em contratos de longo prazo e operações financeiras.

Como o IGP se comporta em diferentes cenários econômicos

O comportamento do IGP é fortemente influenciado por fatores externos, como a variação cambial e o preço das commodities, especialmente aquelas cotadas emdólar, como soja, petróleo e minério de ferro. Isso significa que, em momentos dedesvalorização cambial, o IGP tende a subir rapidamente, mesmo que o consumo internoesteja desaquecido. Essa sensibilidade pode gerar distorções nos contratos atrelados aesse índice, especialmente em períodos de instabilidade internacional.

Por exemplo, em 2020, o IGP-M (uma das versões mais conhecidas do IGP) acumulou alta de mais de 23%, impulsionado principalmente pela alta do dólar e pelo aumento nos preços das matérias-primas agrícolas e industriais. Esse comportamento contrastou fortemente com o IPCA, que no mesmo período teve alta de 4,52%, segundo o IBGE. Esse descompasso acendeu um alerta para a inadequação do IGP em alguns contratos, como os de aluguel, o que motivou debates sobre a necessidade de substituição ou adaptação dos indexadores.

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Impacto direto do IGP no mercado de crédito

O mercado de crédito é particularmente sensível às variações do IGP. Isso porque muitos contratos de financiamento e empréstimos são corrigidos por índices de inflação, e o IGP é frequentemente utilizado como um dos principais referenciais. Quando o IGP dispara, o valor das parcelas desses contratos também aumenta, o que pode comprometer a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito, aumentando os riscos de inadimplência.

Em cenários de alta inflação medida pelo IGP, os credores tendem a elevar as taxas de juros para compensar as perdas reais. Isso eleva o custo do crédito, dificultando o acesso a recursos por parte de empresas e consumidores. Em um ciclo vicioso, o encarecimento do crédito reduz o investimento produtivo e o consumo, o que pode levar a uma desaceleração econômica.

Risco de crédito e inadimplência

Um estudo da Serasa Experian publicado em 2022 mostrou que, durante períodos de forte elevação do IGP, houve um aumento considerável na taxa de inadimplência entre pequenas e médias empresas. A pesquisa destacou que, em contratos atrelados ao IGP-M, houve uma elevação média de 18% no valor das prestações em comparação ao início do contrato, o que comprometeu o fluxo de caixa de muitos empreendimentos, levando à revisão de investimentos e até à falência em alguns casos.

Esse dado é especialmente importante para instituições financeiras e fintechs que operam no segmento de crédito, pois o IGP pode se tornar um fator de risco sistêmico. O uso do índice como referencial, portanto, exige análises de risco mais aprofundadas e ferramentas de hedge mais robustas.

IGP versus IPCA: qual é o melhor indexador para o crédito?

Com o aumento da volatilidade do IGP nos últimos anos, muitos especialistas começaram a questionar a sua eficácia como indexador de contratos. Uma das principais críticas é que ele é excessivamente sensível a fatores externos, o que o torna pouco previsível. Em contrapartida, o IPCA, que é calculado pelo IBGE, reflete mais diretamente o custo de vida do consumidor brasileiro e tem se mostrado mais estável.

Em 2021, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) comparou a correlação entre os dois índices e os impactos no crédito. A conclusão foi que o IPCA apresenta menor volatilidade e está mais alinhado às condições macroeconômicas internas, sendo mais adequado para contratos de consumo e crédito imobiliário. O IGP, por sua vez, pode ser mais útil para contratos empresariais de exportação ou setores com maior exposição internacional.

Tomada de decisão baseada em dados

Na prática, a escolha entre IGP e IPCA como indexador de contratos de crédito deve ser feita com base em dados históricos, projeções econômicas e análise de risco. Segundo o relatório “Boletim Macro” da FGV, publicado em janeiro de 2023, a tendência é que o IPCA continue sendo o índice preferido para crédito ao consumidor, enquanto o IGP pode ser mantido em contratos do setor agrícola e industrial, desde que acompanhado de mecanismos de renegociação e cláusulas de revisão periódica.

Outro dado relevante vem do Banco Central do Brasil, que identificou, em sua “Pesquisa de Economia Bancária” de 2022, que mais de 70% dos bancos comerciais já adotam majoritariamente o IPCA em suas operações de crédito pessoal e consignado, devido à sua previsibilidade e menor impacto sobre a inadimplência.

Ajustes regulatórios e evolução do mercado

A mudança no perfil do indexador também está sendo acompanhada por ajustes regulatórios. Em 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou instituições financeiras a revisar cláusulas de contratos atrelados ao IGP-M, especialmente nos casos em que houve desproporcionalidade entre o aumento do índice e a realidade financeira do tomador. Essa medida visou evitar o colapso de setores inteiros, como o imobiliário e o varejo, que vinham sofrendo com repasses excessivos de custo.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recomendou, em 2022, mais transparência na apresentação dos riscos atrelados à escolha de determinados índices nos prospectos de produtos financeiros. A exigência de simulações e de histórico comparativo tem ajudado investidores a entender melhor como o IGP pode impactar seus rendimentos ou suas obrigações.

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O IGP é um índice de extrema relevância para a economia brasileira, mas seu uso no mercado de crédito exige atenção redobrada. Sua sensibilidade a fatores externos o torna um indicador menos estável do que outros índices, como o IPCA. No entanto, ele ainda desempenha um papel importante em setores específicos, especialmente os mais expostos ao mercado internacional.

O desafio para tomadores e credores é garantir que o uso do IGP esteja alinhado com o perfil de risco da operação e com a capacidade de pagamento ao longo do tempo. O amadurecimento do mercado financeiro e o avanço da regulação devem contribuir para um uso mais consciente e estratégico do índice.

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