O termo Embedded Finance, ou “finanças embutidas’ em português, se refere à integração de serviços financeiros — como pagamentos, crédito, seguros e investimentos — diretamente em plataformas não financeiras. Isso significa que empresas que originalmente não atuavam no setor financeiro passam a oferecer soluções como contas digitais, parcelamento de compras ou até empréstimos dentro de seus próprios ecossistemas digitais.
Na prática, um aplicativo de delivery que oferece pagamento por aproximação ou parcelamento de compras, ou um e-commerce que permite financiar um produto sem depender de um banco, são exemplos claros de Embedded Finance. A proposta é eliminar a fricção entre o consumidor e o serviço financeiro, trazendo praticidade, rapidez e personalização à experiência do usuário.
De acordo com um estudo da Bain & Company publicado em 2023, o mercado global de Embedded Finance deve movimentar mais de US$ 7 trilhões até 2030, tornando-se um dos segmentos mais promissores da interseção entre tecnologia e serviços financeiros. Essa transformação está sendo impulsionada por APIs abertas, avanços em inteligência artificial, mudanças regulatórias e um novo comportamento do consumidor que valoriza a conveniência acima de tudo.
Como funciona o modelo de Embedded Finance
A lógica do Embedded Finance é tornar invisível a camada financeira dentro de uma jornada de consumo. Isso só é possível por meio de integrações entre empresas de tecnologia e instituições financeiras, geralmente através de APIs e plataformas *Banking as a Service* (BaaS). Essas tecnologias permitem que uma marca de varejo, por exemplo, ofereça crédito pré-aprovado diretamente em seu aplicativo, mesmo sem ser uma instituição financeira.
Para o consumidor, tudo parece parte de um único sistema, mas nos bastidores, há um ecossistema complexo de parcerias que concedem crédito a compradores e vendedores dentro da própria plataforma, sem envolver diretamente bancos tradicionais no processo.
Leia também sobre Motor de crédito: mais agilidade e segurança.
O papel das plataformas de BaaS
As plataformas de Banking as a Service são fundamentais para esse novo modelo. Elas atuam como pontes entre empresas não financeiras e instituições reguladas, viabilizando que serviços como emissão de cartões, gestão de contas, análise de risco e concessão de crédito possam ser oferecidos com agilidade.
Impactos no mercado de crédito
Um dos setores mais impactados pelo avanço das finanças embutidas é o mercado de crédito. Antes dominado por grandes instituições financeiras, o crédito agora passa a ser concedido por empresas que conhecem profundamente o comportamento de seus clientes. Isso abre espaço para uma concessão mais precisa, ágil e personalizada, baseada em dados reais de consumo, recorrência e fidelidade.
Com isso, surgem oportunidades especialmente entre os públicos desbancarizados e sub-bancarizados. De acordo com o relatório “The State of Open Finance in Brazil’, publicado pela Distrito, cerca de 34 milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades em acessar crédito pelos meios tradicionais. O Embedded Finance oferece uma solução prática e contextualizada, permitindo que o crédito seja ofertado no momento e local onde o consumidor realmente precisa.
Crédito personalizado e integrado
Imagine um cliente frequente de um aplicativo de transporte que, ao precisar trocar de celular, recebe uma oferta de parcelamento dentro da própria plataforma, baseada em seu histórico de uso e recorrência de pagamentos. Essa abordagem reduz o risco de inadimplência e melhora a experiência de compra. O crédito deixa de ser uma operação burocrática e passa a ser uma solução contextual, integrada à jornada do usuário.
Empresas que coletam dados comportamentais diariamente — como aplicativos de mobilidade, marketplaces ou plataformas de educação — possuem uma vantagem competitiva ao analisar o risco de crédito de forma mais precisa do que modelos tradicionais de scoring, muitas vezes baseados apenas em histórico bancário ou CPF.
Leia sobre: Risco Brasil: como ele afeta seus negócios.
Desintermediação bancária e novos protagonistas
O avanço do Embedded Finance representa uma ameaça direta ao modelo tradicional bancário, marcado por estruturas pesadas e processos lentos. À medida que marcas de outros setores passam a oferecer serviços financeiros diretamente, os bancos perdem espaço como únicos provedores de crédito e financiamento.
Startups, varejistas, fintechs e até empresas de logística estão assumindo o papel de intermediadores financeiros. Essa mudança acelera o processo de desintermediação bancária, no qual a relação direta entre consumidor e banco é substituída por uma experiência fluida oferecida por players não tradicionais.
Um estudo do World Economic Forum, realizado em parceria com a Accenture, destaca que 63% dos consumidores globais estariam dispostos a obter serviços financeiros de empresas de tecnologia, varejo ou mídia. Isso reforça o potencial disruptivo do Embedded Finance na estrutura de poder do sistema financeiro.
Embedded Credit: um novo modelo de concessão
O Embedded Credit é uma subcategoria do Embedded Finance focada especificamente em crédito. Ele ocorre quando a linha de crédito é oferecida dentro de plataformas digitais em que o cliente já possui relacionamento. Esse modelo está crescendo em setores como agronegócio, varejo, educação e saúde.
Regulação e segurança no Embedded Finance
Com a popularização das finanças embutidas, cresce também a preocupação com segurança, privacidade e regulação. No Brasil, o Banco Central vem acompanhando de perto o avanço do setor, especialmente com iniciativas como o Open Finance, que promove a portabilidade e o compartilhamento de dados financeiros entre instituições.
O Open Finance, inclusive, é um dos pilares que fortalece o Embedded Finance, pois permite que empresas tenham acesso, mediante autorização do cliente, ao seu histórico financeiro para oferecer propostas mais adequadas e com menos risco. Essa sinergia entre inovação tecnológica e regulação tem sido crucial para a expansão segura do setor.
No Brasil e no mundo, o Embedded Finance ainda está em fase de maturação, mas já se mostra um dos principais vetores de transformação do sistema financeiro. À medida que a tecnologia avança e a regulação se adapta, o potencial desse modelo para reconfigurar o crédito e outros serviços financeiros é imenso — e o futuro está apenas começando.
Acesse nosso site e leia mais conteúdos como esse!





